terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tua medida



Toda opinião ou juízo que desenvolvemos no presente está intimamente ligado a fatos antecedentes. Quase sempre, todos estamos vinculados a fatores de situações pretéritas, que incluem atitudes de defesa, negações ou mesmo inúmeras distorções de certos aspectos importante da vida. Tendências ou pensamentos julgadores estão sedimentados em nossa memória profunda, são subprodutos de uma série de conhecimentos que adquirimos na idade infantil e também através das vivências pregressas.

Censuras, observações, admoestações, superstições, preconceitos, opiniões, informações e influências do meio, inclusive de instituições diversas, formaram em nós um tipo de “reservatório moral” – coleção de regras e preceitos a ser rigorosamente cumpridos -, do qual nos servimos para concluir e catalogar as atitudes em boas ou más.

Os freqüentes julgamentos que fazemos em relação às outras pessoas nos informam sobre tudo aquilo que temos por dentro. Explicando melhor, a “forma” e o “material” utilizados para sentenciar os outros residem dentro de nós.

Melhor do que medir ou apontar o comportamento de alguém seria tomarmos a decisão de visualizar bem fundo nossa intimidade, e nos perguntarmos onde está tudo isso em nós. Os indivíduos podem ser considerados, nesses casos, excelente espelho, no qual veremos quem somos realmente. As mesmo tempo, teremos uma ótima oportunidade de nos transformar intimamente, pois estaremos analisando as características gerais de nossos conceitos e atitudes inadequados.

Só poderemos nos reabilitar ou reformar até onde conseguimos nos perceber; ou seja, aquilo que não está consciente em nós dificilmente conseguiremos reparar ou modificar.

Nossos julgamentos serão sempre os motivos de nossa liberdade ou de nossa prisão no processo de desenvolvimento e crescimento espiritual. Se formos juízes da “moral ideológica” e “sentimental”, sentenciando veementemente o que consideramos como “erros alheios”, estaremos nos condenando ao isolamento intelectual, bem como ao afetivo, pela própria detenção que impusemos aos outros, por não deixarmos que eles se lançassem a novas idéias e novas simpatias.

Para sermos livres realmente e para nos movermos em qualquer direção com vista à nossa evolução e crescimento como seres eternos, é necessário observarmos e concatenarmos nossos “pesos” e “medidas”, a fim de que não venhamos a sofrer constrangimento pela conduta infeliz que adotarmos na vida em forma de censuras e condenações diversas.

Francisco do Espírito Santo Neto, Renovando Atitudes – (com adaptações de Nego Sartre).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Há tempo




Nós nos imaginamos como sendo essa forma, esse corpo físico com o qual circulamos pela vida. Limitamos nossa existência ao espaço-tempo preso a esta forma.

Somos corroídos pelo medo da perda do outro e pela morte de nós mesmos. Somos levados a acreditar que o que somos fora da forma, do corpo, envelhece tanto quanto ela. A criança, o jovem, o velho que somos teve sua passagem no tempo da forma. Aceitamos, assim, o vazio como recompensa da disposição em que vivemos para viver a melhor vida que podemos viver.

A imagem que temos de nós mesmos quando jovem é da robustez, da agilidade, da inteligência fácil e rápida, e no contraste de um velho decrépito, inútil e um fardo que se encontra “com a boca escancarada SEM dentes esperando a morte chegar”, uma alusão ao que disse Raul Seixas.

Independentemente das circunstâncias e do tempo que determina a passagem pela vida, nós somos o escritor, o diretor e o produtor da nossa novela e que o nosso comportamento é baseado em nossos sentimentos que por sua vez são baseados em nossos pensamentos e, portanto, somos donos das escolhas que fazemos e dos caminhos que trilhamos na construção no presente da melhor vida que queremos viver.

Diante disto, fora da forma, fora do corpo, o tempo não existe, não há idade cronológica. O novo e o velho são do mesmo tempo, a diferença são os sonhos sonhados e as imagens que visualizamos para a nossa vida. O tempo é uma ilusão e é necessário redefinir a nós mesmos para incluir nossas naturezas sem forma e sem idade, que como tal não existem começos e fins.

Ao limitarmo-nos às regras que assomam a forma, esta que no dia-a-dia determina horas para dormir, comer, trabalhar, relacionar, etc., deixamos de viver no nível do pensamento que não está restrito aos limites do tempo, causa e efeito, começos e fins. Ao quebrar essas regras, tornamo-nos capazes de criar nossas imagens daquilo que verdadeiramente somos e da força que existe em nós, independente da idade que nos alcunharam. O tempo não existe, então deixemos a lamentação e desfrutemos a eternidade que é no agora, para que realizemos os melhores sonhos que temos sonhado.

Nego Sartre
 
 
 
P.S.: Esse texto ficou em 9º lugar no concurso de redação promovido pela Posead (http://www.posead.com.br/).

terça-feira, 21 de setembro de 2010

E por falar em mudanças...


Como disse Heráclito de Éfeso no século VI a.C. "Um Homem não entra duas vezes no mesmo rio; da segunda vez não é o mesmo homem nem o mesmo rio". Por isso mesmo não devemos banalizar a mudança, ela ocorre a cada instante de nossas vidas. Falar de mudança é falar da vida. Entender a mudança é entender a vida. A mudança é ambígua (repleta de incertezas, indeterminações e inseguranças) e ameaçadora (não escolhe hora e constantemente nos pega de surpresa) e por isso o esforço de promovê-la é também dialético (uma descrição exata do real ou cheia de sutilezas - silogismo) e paradoxal (às vezes nos parece absurdo, disparate, contrário ao comum). Bretas Pereira (1999) resume as características das mudanças em três palavras-chaves:

A inexorabilidade - as mudanças acontecem sempre independentes da nossa ação, do nosso consentimento ou da nossa vontade.

A ambigüidade - é o produto do conflito fundamental que envolve o homem, no momento em que ele se defronta com a necessidade de mudar e o seu natural apego à estabilidade.

Perda - o processo de mudança é um gerador de perdas. Para a maioria das pessoas, e para alguns dos sistemas sociais que elas criam, a perda da estabilidade está profundamente associada à perda de valores, ou seja, ao conjunto ideológico em que se ancora a sua identidade.

Todo esse processo de mudança indica uma alteração muito profunda e muito importante em nosso comportamento e no mundo a nossa volta: o passado vale muito pouco ou quase nada. Simon Franco (1999), diz que quem ficar preso a ele, acreditando que as coisas que já fez e estudou são suficientes para garantir seu futuro, não terá na verdade nenhum futuro. Além de saber muitas coisas, é preciso saber ser uma pessoa vencedora. E para isso é necessário ter ousadia para quebrar regras, para abrir novos horizontes, para aceitar riscos. Ainda assim, há muito o que fazer por nossa carreira e escolhas demasiadas. O cenário é outro, os desafios são muitos e as perguntas continuam sempre as mesmas: Onde estamos? Aonde queremos chegar? Como chegaremos lá?. Talvez saibamos a resposta, mas não aprendemos a resposta, pois o que vemos e ouvimos gera em nós muitos sentimentos de incerteza, de insegurança, etc. e tal.

Mesmo com esta complexidade de situações que as mudanças nos apresenta, podemos vislumbrar um caminho que nos fará desenlaçar esse emaranhado de fios que nos prende. E isto só pode ser feito por meio de pessoas que tenham claros sonhos, objetivos e realizações, agregando recursos e iniciativas em busca de novas soluções.

Devemos nos relacionar e estabelecer conexões com todas as pessoas que estão a nossa volta e com todas as que ainda podemos conhecer. E desta forma teremos como compartilhar recursos, criar oportunidades e crescer e aprender através da troca. Nada mais é do que cultivar relacionamento que sejam mutuamente benéficos para todas as partes.

A partir do momento que evidenciamos a necessidade de trabalhar o presente, criar o futuro e melhorar nossos relacionamentos, criamos uma fonte de possibilidades infinitas. A grande ferramenta de realização pessoal e profissional está nos objetivos que nos propomos e como nos relacionamos com as pessoas. Além de agregar valor ao nosso presente e ao nosso futuro, pode, e isto é claro, torna uma via de mão dupla - o tanto que colaboramos com ela determina o que obtemos dela.

Nego Sartre

Publicado em 2004 - republicado com alterações 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Simplesmente somos




Quando descobrimos que podemos ser, simplesmente ser, nossa vida se preenche de uma luz que tem o poder de edificar e iluminar nossos caminhos.

A metáfora que podemos usar é aquela em que dizemos que a “felicidade reside dentro de nós”, como se já não o soubéssemos.

Entretanto, com o coração enorme que sempre fez parte da nossa vida, teimamos em abraçar o mundo, e quando simplesmente somos, compreendemos que outros precisam ser, e assim já não precisamos ter-lhes sob nossas asas.

A dualidade ter e ser não existe, pois não existe dualidade na vida humana. A vida nos permite fazer escolhas, e muitas escolhas; e não apenas daquelas de sim ou não, de bem ou mal, de bom ou ruim.

Nós fazemos escolhas, e continuamente fazemos escolhas. Algumas nos deixaram tristes e/ou nos ensinaram, e por isso, hoje, as nossas escolhas são para a construção de uma vida cada vez mais iluminada.

Por saber desta luz deixamos a vida fluir, pois simplesmente somos.

Nego Sartre

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Plano - seu painel de controle individual


Anos-novos, vida nova. Bem... não é bem assim. Parece que todos os anos são as mesmas coisas e, principalmente, as mesmas contas: IPVA, IPTU, seguros, material escolar, matrícula de filhos, faculdade, quilos a perder, ufa! Mas você é uma pessoa equilibrada. Tem definida a sua Missão (pessoal, familiar, etc.), o seu negócio, sabe o que precisa cumprir na vida, sabe o que tem que ser feito.

Como pessoa equilibrada, você tem a sua Visão de Futuro, tem desafios a alcançar, tem sonhos a realizar. Para cumprir a sua missão e alcançar a sua visão de futuro, você tem Estratégias definidas, tem claro o que deve fazer, para tanto você explicitou os seus Objetivos e Metas para colocar suas estratégias em ação, isto é, você sabe para onde vai e quando vai chegar lá.

Você tem medidas para seus objetivos e metas, você tem Indicadores de Desempenho, que mostrarão se você conseguiu e/ou se você vai conseguir realizar o que tem se proposto nesta sua vida equilibrada.

Seus indicadores não são apenas aqueles para pagar contas, mas blanceados em quatro aspecto: o primeiro são os seus Clientes (esposa(a), namorado (a), filhos, amigos, pais, etc.). No aspecto Financeiro estão definidos os gastos mensais. Depois, é claro, você cuida da forma de encantar seus clientes e de ter em abundância os seus recursos financeiros no momento em que age com excelência nos seus Processos Internos. E, por fim e o mais importante, você investe pesado no seu Aprendizado e Crescimento.

Nego Sartre

P.S: Escrevi este texto, já algum tempo, com base na metodologia do Balanced Scorecard (BSC) para aplicação de planejamento no nível individual.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sistema Educacional




Longe das promessas políticas e de seus arroubos de demagogismo, o sistema educacional brasileiro precisa urgentemente passar por uma reforma séria, ética e responsável.

Não podemos crer que apenas o investimento no topo da pirâmide educacional em recurso e acesso, que é o ensino universitário, nos tornará, de um dia pro outro, um país com ensino de qualidade, ou que seja de um ano ou década pra outra.

Mas o que ocorreu para que a degradação do sistema educacional do país chegasse a esse ponto, e que se diga de pronto, não se restringe ao ensino público como também ao ensino privado.

O fato é que relegamos a profissão de professor às portas do fundo, à senzala. Consideramo-la, como fazemos com os serviços domésticos, de uma pequeneza sem tamanha, “coisa de pobre”, coisa de quem não tem o que fazer. Isso me faz lembrar que adjetivos damos à dona de casa.

Vemos a sociedade se deteriorar por duas razões simples: deixamos de investir e dar valor a dois dos mais importantes pilares da família e da sociedade que são a dona de casa e a profissão professor, com seus gêneros também invertidos.

O que se alardeia aos ventos é que a qualidade do ensino passa primeiramente pela construção de escolas modelos, munidas de toda parafernália tecnológica, e isso é uma verdade comercial embusteira.

Enquanto o professor for posto no mesmo patamar da carteira, da cadeira, do quadro negro veremos um sistema de ensino podre, corrupto e marginal, aonde os limites serão impostos por meio do vandalismo e da violência barata uns contra os outros.

Se já disseram que “a solução é alugar o Brasil”, para nós a solução é muito mais simples e barata. Faz-se necessário tomar vergonha na cara e resgatar o professor, como profissão e agente público e social, nas suas questões de recompensa, reconhecimento e autoridade.

O aparte final é que o professor deveria exercer as mesmas prerrogativas das autoridades judiciárias com o poder de polícia e demais funções que são inerentes a estas autoridades.

Nego Sartre

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Lá na Roça


Existe um choque de interesses entre a preservação e conservação do meio ambiente e a necessidade proeminente de manter a alimentação em níveis sustentáveis para as populações do Planeta.

Ainda não se criou a comida sintética, objeto que não tem na sua composição os ingredientes naturais. Sendo assim, esse conflito existente tende a agravar com o crescimento populacional, não só da espécie humana, que se faz de forma desordenada e sem predadores, mas como de todas as demais espécies vivas.

Não se discute que a manutenção do ambiente natural com a proteção aos biomas é condição sina qua non. Entretanto há uma questão urgente a ser considerada no ambiente rural.

Dentro das políticas do agronegócio, um erro crasso tem sido a expansão das áreas de criadores de animais. Se se pretende aumentar a oferta de alimentos, essa expansão do negócio animal é o mais prejudicial à saúde do meio ambiente e humana; e é muito mais dispendioso no manejo e distribuição.

O que se deve ser a favor é da expansão das áreas cultiváveis com relação, e apenas a estas culturas, ao arroz, soja, trigo, feijão e milho. A expansão deve ter como referência apenas e exclusivamente à produção de alimentos, não podendo ser usada para outros fins como a produção de combustíveis.

Caso seja o objetivo dos povos da Terra a eliminação da fome, e uma política social clara no caso do Brasil, os produtores destes insumos agrícolas, que tenha a produção toda voltada para alimentação, devem ser visto sob outra ótica. Eles devem ser isentos das taxas de utilização das águas para irrigação e o remanejamentos das áreas de reserva devem ser mais flexíveis para estes casos.

O produtor rural não pode visto como o vilão das questões ambientais. As regulamentações ambientais das quais se avolumam pelo Brasil, são pensadas e executadas por pessoas que nunca pisaram numa “roça” e que tem medo de “bichos”. O que chamamos de desastres naturais, como exemplo as enchentes, acontecem nos ambientes estritamente urbanos, responsabilizado pelo lixo e crescimento desordenado deste ambiente.

Produtores rurais não são uns coitadinhos, mas precisamos rever as políticas adotadas se quisermos alimentar o crescimento populacional, e nesse contexto, o crescimento urbano.

Parece maravilhoso, enquanto estamos batendo recordes de produção no agronegócio. O que se quer saber é se este crescimento será proporcional às necessidades de se alimentar toda a população.

Nego Sartre

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Permita-me


Permita-me, num bocejo de palavras
Arredar do peito, fartos nós
Que se apoderaram, num fastio
Esses bafejos em versos tristes

Não me deram saber, que dito
Retorno aventurado, compraziam
Nem mais que dois, ou três
Desejos imanados que apontoam a alma

Esbravejando antônimos, doridos
A calcificação do ser, por ser
Atroz face na face, rebalde
Nesta simbiose do deleitar-se

Arrumação de vida, profana
Jazigo de amores, sécia
Que arrebata em lume, era
De labiríntica previdência

Nego Sartre

terça-feira, 27 de julho de 2010

Desastres NÃO naturais


A Terra é um organismo vivo. Fato cantado e decantado aos quatro cantos. Mas sempre nos sobra aquela pergunta de que se sabemos disto, que porquês são esses que nos fazem proclamar sua destruição e, por conexão, a nossa também...

Como comandanta deste organismo, essa entidade etérea chamada Natureza, nesses últimos tempos vem expondo as feridas e as dores sentidas pela Terra. Dos ditos desastres naturais, que não são nem de longe desastres e sim acomodações naturais, se assomam a vida do ser humano de uma constância que poderia se dizer sem precedentes. Mas há muitos precedentes, e como há...

A Terra se tornou um campo minado pelas ações impostas pelo homem. Intermináveis dejetos plásticos vedam os sulcos que alimentam de ar os pulmões; máquinas que raspam as florestas deixando a pele cancerosa; o ouro preto derramado que adentra a corrente sanguínea como um veneno. Este é o legado de destruição, de morte, deste planeta que é vida em sua plenitude, herança da raça humana...

A água, o alimento, o ar, produto de um organismo vivo chamado Terra, vai esvaindo, vai esvaindo, esvaindo...

É chegado o momento desse organismo vivo reagir, entrincheirar-se por detrás de suas potentes defesas naturais, revolvendo todo o mal produzido por ações inconseqüentes e desmedidas dos seres humanos. Em assim havendo, nascerá um novo mundo, surgirá uma nova era...

Nego Sartre

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Desprendimentos



Somos confrontados diuturnamente por nossas conquistas materiais. Essa prova está presente principalmente no consumo. E alguns apelos sempre nos remetem de um lado a consumir mais, enquanto outros no dizem para manter por muito tempo aquilo que adquirimos.

São esses momentos que mais reflete o conflito entre o novo e o velho. À mostra a cultura da inovação revestida de um mundo estritamente tecnológico, que em contraste cultua um chamado mundo do modelo retro, da antiguidade. Há um erro de manifestação ideológica e educativa. Há uma adoração à forma, à matéria sem precedentes. E isto tem nos levado a derrocada da condição humana.

Particularmente, tenho pensado se aquilo que me pertence materialmente tem tido o mesmo número de vida das coisas que a meus pais pertenciam. As duradouras linhas de modelos retrôs as quais lhe damos valor hoje nasceram de um valor de durabilidade dos quais gerações anteriores tinham como princípio.

Nós, que fazemos parte de uma massa que adota o descartável como princípio, a par do apego que podemos afirmar que tinham nossos pais, somos escravos desse princípio. Cada dia e cada vez mais trabalhamos para nos manter apegados a essas coisas, a esses bens, que de duradouros só tem a passagem para um novo modelo.

E numa batalha de gerações somos forçados a acreditar que o apego nasce naqueles aos quais tem como princípio permanecer o máximo de tempo com a mesma mesa, a mesma cadeira, a mesma cama, a mesma carteira (àquela que lhe traz sorte) e por incrível que possa parecer, a mesma família.

Ao darmos valor à praticidade do descartável, a rapidez de uma comida congelada, isso parecer nos tornar seres humanos desapegados da matéria, desprendidos. Tolo pensamento. Escravos do consumo ‘sem eira nem beira’, somos amantes do ter como reflexo daquilo que imaginamos ser. E se somos aquilo que dizemos ter, mortos nos encontramos sem o saber.



Nego Sartre

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Porta fechada


Tem dessas coisas, a vida da gente. Vez ou outra, damos com a cara na porta. Sorte nossa quando sai ileso nosso nariz. Dessas desventuras somos noticiadores pela vida toda, e quase sempre, em forma de reclamação.

E das piores portas, somos sofredores daquelas mais imaginárias. A do coração que quando bate chega a estremecer todo o ser e toda a forma. Na mente, somos ludibriados por caminhos tortuosos e tenebrosos. E daqueles que são dos outros, transformamo-las em eterno muro de lamentações.

Talvez aquela que seja mais dolorida quando fechada é a nossa em derredor de nossa vida. Isto dói tanto para quem nela busca guarita e muito mais pra nós que a fechamos às querelas e quimeras normalmente daqueles por quem temos admiração.

Esse é o meu desafio, e quem sabe talvez o seu, deixar de ser o cão de guarda de minha entrada, transformando-me num construtor de um templo, que é minha vida, sem portas e nem janelas, que não tem a pretensão de obstaculizar passagens e nem de se arvorar senhor do destino.


Nego Sartre

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sonhos


Tenho a estranha mania de sonhar. Não por que penso em fugir da realidade, mas como o alicerce que sustenta minhas realizações. Sem isso não seria capaz de trilhar nenhum dos caminhos que a vida sugere a todo momento.

Se eu realizo ou fracasso, não são substantivos surgidos do acaso. Nascidos dos sonhos, eles são planos engendrados para que o encontro da felicidade dentro de mim mesmo se torne acessível e eu me torne capaz de alçá-los, fazendo-a condutora da minha vida.

Neste ínterim, os sonhos têm o poder de serem adivinhos do futuro, capazes de construir toda uma vida baseada em cada linha de palavras as quais lapidamos na eternidade de nossas vidas e que sem isso não seríamos o que somos agora. Isso que dizer sim que todos os sonhos são belos, e se se transformam em ruins ou feios é de total responsabilidade de seu executor, neste caso eu mesmo.

Hoje sou um pedaço de mim que ontem se fez, mas com a leveza do amanhã que brilhará. E aos meus sonhos os créditos de que eles são as ferramentas transformadoras do que sou agora.

Nego Sartre

domingo, 4 de julho de 2010

Incoerência


Por mais que pratique não tenho encontrado a certeza de que coerência é parte central em minhas ações, em meus relacionamentos, em meu trabalho e muito menos naquilo que escrevo.

Instigo-me a vasculhar ponto a ponto como me situo frente aos desafios e ao comodismo diário ao qual sou impelido constantemente. Quando me desafio, vejo que o poder de decidir se toma de uma clareza que, desse ou de outro lado ao qual devo recorrer, sempre me suporto um forte teor de incoerência. Muitas vezes o que vai mais pesar nesse conjunto de decisões será o fator que esteja agregado de menos incoerência, pois indiscutivelmente nenhuma decisão as quais somos levados tem no seu bojo a coerência num sentido mais stricto sensu da palavra.

De outro modo e de forma mais contundente, sou levado a sempre buscar um cantinho “esconde-esconde” frente aos desafios. Somos bandeirantes do comodismo, caçadores do conformismo. Lutamos diariamente para nos manter sempre do mesmo modo e no mesmo estado das coisas. Este é o reino da incoerência que domina e determina o sabor e dissabor das nossas vidas. Pretor da nossa consciência, a incoerência ludibria meus sentidos tomando forma de uma poderosa manifestação de coerência. Para me dominar, elas se confundem e se incorporam: coerência e incoerência.

O que mais importa em tudo isso é saber dessa dualidade, é ter consciência dessa dubiedade. De dois um, ou a arrogância toma conta dos meus atos tendo como pano de fundo a certeza de que pratica a coerência em sua totalidade, tornando-me um julgador voraz do comportamento humano; ou o aprendizado da humildade se faz presente como um veiculo condutor da minha vida, tornando-me um agente observador de minhas próprias ações sem a pecha de querer ser o dono da verdade.

Nego Sartre


terça-feira, 29 de junho de 2010

Infância


São as lembranças da infância algo que invade nosso espírito de uma adrenalina sem conceituação. Elas fazem com que rememoremos fatos que tem uma ligação e uma sintonia fantástica com o momento que vivemos.

Tomar banho nas lagoas que circundavam a cidade era uma das minhas prediletas estripulias na meninice, de uma algazarra sem tamanho e sem precedentes. As manhãs das férias, já que na minha região o inverno de chuva se dava no verão, era de um rito que não deixava de dar inveja aos das igrejas.

Essa arrumação de meninos em caça aos melhores pontos, tinha aposta em mergulhos, aos cocorotes dos mais velhos, e chegando por fim a imaginação das chineladas em casa. Esse último, por assim dizer, era o mais temido de todos e ao mesmo tempo era o que vinha a mente nos momentos finais da molecagem. A bem da verdade não tinha bundas ardidas que se fizesse cada um daqueles perambulantes meninos arredarem o pé de, no outro dia, novamente, se aventurar por aquelas bandas das lagoas.

Ameaças de novas chineladas, aparecimento de assombração nos finais de tarde na serra, mula sem cabeça, curupira, saci, nem um desses argumentos maternos faziam efeito. Parece que lá no fundo todos sabiam que tudo aquilo deveriam ser enfrentado para um dia fazer parte de uma história de vida que tem um estranho sentimento de se tornar perpetuo.

Nego Sartre

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pensamentos



Aprendi que os meus sentimentos são governados por mim, por incrível que possa parecer essa afirmação. Sabe o por quê? Por que geralmente damos o poder a outras pessoas para dirigirem a nossa vida e na verdade ela só pertence a nós.

Quando nos sentimos frustrados, ofendidos, raivosos, irados temos a certeza que tudo isto é provocado por outras pessoas e essa é uma certeza efêmera, não tem guarita na realidade.

Em nossos sonhos ou devaneios, a única imagem real é a nossa própria imagem, as outras coisas que fazem parte são apenas ilusões. Ilusões criadas pelo pensamento. Nada ou ninguém compartilha com esses pensamentos nossos.

O que eu quero dizer com isto é que qualquer sentimento gerado, ele nasce dos nossos pensamentos. A raiva sentida, a frustração imantada, o coração ofendido são projeções feitas pelo nosso pensamento. Só existem em nosso pensamento. Se deixarmos de alimentá-lo, ele deixa de existir. Tão simples que não damos conta dessa verdade.

É uma verdade que uma vez aprendida, ela transforma nossa vida de uma maneira tal, que nem mesmo nós somos capazes de nos reconhecermos nesse patamar de evolução. Saímos da escuridão para luz. E se o nosso objetivo é nos tornar um ser iluminado, então esse é o primeiro caminho.

É simples o conhecimento dessa verdade, mas sua aplicação exige prática constante e principalmente o desprendimento dos sentimentos da culpa e da vingança, bem como o exercício do perdão.

Por fim, o que são nossos sentimentos, senão construções dos nossos pensamentos. E são estes pensamentos que dão formação a esta vida em aprendizado e em passagem pelo Planeta Terra.

Nego Sartre

*crédito imagem: mensageira.wordpress.com/.../

terça-feira, 1 de junho de 2010

Verdadeiro Amor



Amar é um sentimento único, não cabem superlativos nem comparativos.

Essa história de que amamos mais ou menos não se conjuga no verbo amar. Amar é unidade. O amor não cobra e não exige troca. Amar é simples e é eterno. Quando se ama, se ama para sempre.

E não há distinção no amor. Amamos nossos filhos, assim como amamos nossos pais e assim como amamos nossos companheiros.

Amor não é exclusivo, ele é por excelência inclusivo. Quanto mais amamos, mas nos tornamos capazes de amar. Aprendemos que o amor é universal.

Agora quando você quantifica ou qualifica um sentimento tenha a certeza que ele não é amor. Não estou desqualificando esse sentimento. Ele pode ser tudo: paixão, adoração, admiração.

Então, quando você se perceber resignando, doando, sendo paciente, silenciando seu espírito, envolvendo no seu manto sagrado tudo e a todos, pode estar certo que o amor nasceu em seu coração.

E aí sim, eu posso dizer que isto é VERDADEIRO AMOR.

Nego Sartre.


*crédito imagem: ddnc4.blogspot.com/2010_04_01_archive.html


Contador

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Donos do Mundo

Invariavelmente somos reféns do pronome possessivo “meu”, “minha”. Conhecemos apenas o mundo da forma. E por fixamos nossas ações nesse mundo, consideramos tudo e todos como meu. Frases comuns como essas, proferimos aos montes: “Meus bens”, “Minha mulher”, etc.

Mas, o que realmente é meu?? Nós não somos donos de nada. Nós não somos dono de ninguém. Não somos os ingleses que dizem que os mares são seus. Não somos os egoístas dizendo que toda beleza é sua. Muito menos os sovinas que escondem o dinheiro que diz ser seu.

Acostumados a rotular todas as coisas, dizemos que somos brasileiros, branco, negro, empregado, doutor. Categoricamente, não somos esses rótulos, não somos essa forma. Isto de sermos alguma coisa é ilusão. E se isto é ilusão, também é uma ilusão arvoramos sermos donos de tudo e de todos.

Nada nos pertence. E por não nos pertencer apenas usufruímos. E por usufruir, a abundância se torna presente.

Quando dizemos dono, estamos nos restringindo, nos limitando a uma mísera migalha de tudo que o universo pode nos prover.

Quando dizemos dono, estamos nos rodeando de parcos amigos, de finitos amores, por falta de sintonia com a vida.

Quando dizemos dono, esquecemos que um dia tudo isto será usufruído por outro.

Deixe de ser dono das coisas. Deixe de ser dono das pessoas. Usufrua. Deleite-se. Divirta-se. Sinta a maior benção que o mundo pode lhe dar: a consciência de que este momento é uma passagem para o infinito que é a sua vida.


Nego Sartre

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Rótulos


Nos foi ensinado que separação é a essência de nossa humanidade. Nós acreditamos em fronteiras, limites, rótulos e tradições. Aprendemos a ver os “outros” como seres distintos de nós e, em muitos casos, a literalmente considerar metade da humanidade como nossa inimiga. Fomos criados para valorizar nossa etnia e considerar qualquer pessoa diferente como “não-pertencente ao nosso clã”. Nossos rótulos se tornaram nossa autodefinição. O que acontece depois de uma vida inteira desse condicionamento é que nos identificamos como francês, homem, mulher, protestante, alto, negro, conservador, atlético, classe média e assim por diante. Tudo isso são rótulos que nos separam e classificam, tornando difícil pensar na unidade e atingir a iluminação.

Examine os rótulos que você aplica a si mesmo. Todo rótulo é uma fronteira ou limite de alguma espécie. Se você é de origem inglesa ou africana e aplica este rótulo a si próprio, você colocou um limite que não lhe permite vivenciar nada que não seja inglês ou africano. Veja-se como ser humano. Nenhum rótulo é necessário. Os pensamentos não podem ser fragmentados em pequenos e bem definidos compartimentos. Você não é velho ou novo no pensamento, apenas na maneira como se rotula em forma. Isso também acontece em relação a ideologias políticas e atributos físicos. Em pensamento, você pode ser qualquer coisa e tudo. Lembre-se sempre de que apenas uma minúscula parte de você corresponde à forma, que a forma é apenas a embalagem que corporifica o verdadeiro você. Procure pensar globalmente e agir localmente. Veja-se como uma célula entre bilhões de células na célula única maior chamada Humanidade. Quando você se vê conectado em vez de separado, automaticamente começa a cooperar. É nisso que consiste o processo de cura.

Dr. Wayne W. Dyer
(do livro Crer para Ver – O caminho para sua transformação pessoal – com adaptações).

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Expectativas!


Tenho pensado que uma das coisas que nos deixa tristes e frustrados são as nossas expectativas, tudo aquilo que esperamos de nós... e principalmente dos outros.

Temos a mania de julgar a partir dessas expectativas. Veja por exemplo a convocação da nossa seleção de futebol. Comumente, vemos nos reclamando, acrescentando adjetivos pejorativos aos dirigentes por não chamar este ou aquele nome do nosso desejo.

Expectar é um sentimento recorrente que nos invade. A única maneira de curar as feridas que porventura tenhamos quando não atendidas as nossas expectativas é o perdão. Perdoar ao outro e a nós mesmos, pois assim preenchemos o nosso coração (e tudo que há de vazio em nós) desse sentimento que é pleno.


Nego Sartre

sábado, 8 de maio de 2010

Alguns Sinais e Sintomas de Paz Interior


Tendência a pensar e agir espontaneamente, em vez de se
        basear em temores oriundos de experiências passadas.
Uma inconfundível capacidade de apreciar cada momento
Perda de interesse em julgar e em interpretar as ações
       de outras pessoas.
Perda de interesse em conflito
Perda da capacidade de se preocupar
Freqüentes e irresísteveis episódios de carinho.
Alegres sentimentos de ligação com os outros e com a natureza
Sorriso fácil e freqüente
Suscetibilidade ao amor oferecido por outros, bem com a
         incontrolável premência de oferecê-lo.

Peace Pilgrim
(via Crer pra Ver de Wayne W. Dyer)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Declaração para os meus amigos


Ces são o colírio do meu ôiu.
São o chiclete garrado na minha carça dins.
São a maionese do meu pão.
O limão da minha caipirinha.
O rechei do meu biscoito.
A masstumate do meu macarrão.
A pincumel do meu buteco.

Nossinhora!
Gosto dimais da conta dóceis, uai.

Ces são tamém:
O videperfume da minha pintiadêra.
O dentifriço da minha iscovdidente

Óiproceisvê,
quem tem amigos assim, tem um tisôru!

Eu guárdesse tisôru, com todo carinho,
Do lado esquerdupeito!!
Dentro do meu coração!!

AMAOOCÊIS PADANÁ!!
Bejim e inté.

Desconheço o autor


* Para todos meus amigos, em especial, os baianos e os mineiros. Você sabia que mineiro é baiano cansado? Pois é, o baiano tava indo pra São Paulo, como ficava muito longe, resolveu ficar por Minas mesmo. Os mineiros me matam. É com carinho. NEGO SARTRE

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Se...


Se paramos,
dizem que somos molengas;
quando avançamos,
somos apressados;
se gritamos,
somos irritantes;
se falamos,
tagarelas;
se calamos,
somos inopiosos;
se choramos,
desesperados;
se dançamos,
somos exibidos;
se paramos,
somos reprimidos;
se cantamos,
nossa voz é rouca;
se rezamos,
que beata louca!;
se vestimos,
muito recatados;
e se nus,
somos depravados.
Se não importamos com tudo isso
somos uns descompromissados.
Deixem eles assim pensarem
Pois jamais seremos derrotados

(Para quebrar o ritmo)

Nego Sartre

*crédito imagem: orebate-martaperes.blogspot.com/2008/10/poesi...

Livros de auto-ajuda



Se você acreditar que neste mundo individualista em que vivemos encontrará as ajudas da sua vida nas mãos de outros... Tá ferrado!

Só você poderá se auto ajudar! Essa é uma verdade indelével!

Nego Sartre

P.S. Isto também é uma mentira indelével!

O Menestrel



Um dia você aprende que...

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você é na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você mesmo pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

William Shakespeare

terça-feira, 4 de maio de 2010

Desastres naturais, de novo.



A humanidade tem pensado constantemente sobre as possíveis soluções que possam ser dadas as questões de segurança, saúde e meio ambiente, principalmente.

Eu sou um defensor ferrenho que estas soluções estão na Educação. Mas se parece tão fácil assim, por que nada foi feito até o momento? O porquê de todo investimento nessa solução mágica não tem dado o resultado esperado?

A solução está na educação sim. O problema é que os sistemas de educação adotados pelo o mundo a fora são um engodo à sociedade. As tão badaladas descobertas tecnológicas, nada mais são do que uma nuance desses sistemas educacionais que deturpam os melhores conceitos de valor e relacionamento humano.

Se a solução é a educação, ela só pode acontecer se houver a adoção de outros sistemas educacionais que atendam a sociedade nos contextos do aprendizado de segurança, saúde, finanças sustentáveis, meio ambiente, principalmente.

O que isso tem haver com desastres naturais? Numa recente demonstração de força, a natureza mostrou sua face com erupção do vulcão na Islândia. Antes de contar o benefício de tal evento, as frases humanas estavam voltadas para a contagem de um prejuízo, de valores extraordinários. Essa erupção traz no seu bojo a possibilidade de atuar na resolução do aquecimento global.

No livro Super Freakonomics de Steven D. Levit e Sthepen J. Dubner há um exemplo da poderosa erupção do Monte Pinatubo em quase 100 anos, em que o cortinado formado pelo 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre esfriou a Terra em média meio grau centígrado e que florestas em todo o mundo cresceram com mais vigor, porque as árvores preferem luz solar mais difusa. De todo, os prejuízos se tornam ínfimos diante da possibilidade que uma explosão de grande magnitude possa ocorrer, no caso do vulcão da Islândia, o que certamente amenizaria a questão do aquecimento global.

A visão que temos sobre acontecimentos naturais como desastre vem desses conceitos que aprendemos de um sistema educacional apodrecido, que privilegia antes de tudo a competição por si só, o subjugar a espécie como condição primeira e a prática do individualismo como fonte de sabedoria e poder.

Antes de abrirmos a boca para falarmos em desastres naturais, percebamos que somos a única espécie que vive pela busca do prazer e por isso já condenamos à extinção diversas espécies da fauna e da flora, como já condenamos a nós próprios a mesma condição.

Nego Sartre


Contador grátis

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Eu não estou em estado terminal

Fui pego de supetão. Reagir com choro, gritos e pontapés. Maldisse todos os santos, arcanjos e também a Deus e toda sua linhagem. Como podia eu, jovem, que ainda não tinha nem entrado na infância da minha velhice. Terminal?!! Não! Não podia admitir. Não desfrutei de todas as coisas, não vivi todos os amores.


Pensei...minhas contas. Meu carro. Minha casa. O meu cachorro. Minhas horas de folga como ficarão? E minhas economias?, tantos anos juntando todo aquilo, esperando gozar uma aposentadoria folgada. Terminal?!! Não! E minhas roupas, que iria vestir? As minhas melhores marcas. Sem falar nos meus tênis, meus CDs, minha TV HD. E não tem como esquecer as biritas, meus domingos de churrasco com meus amigos. E agora? Tudo que era meu, vou perder???? Não é justo comigo.

Terminal? Mas quem está em estado terminal? Eu? Refletir. Horas e horas de introspecção. Por que comigo?

Nesses momentos, o coração se ilumina e a consciência se torna única. Entendi que nada me pertence. Nada é meu. Não sou as identidades as quais me forjei por anos: estudante, amante, marido, consultor, administrador, empresário, empregado, pobre, rico, dono. E quem é este ser então? Eu sou, apenas sou.

Concluir. Quem estava em estado terminal era o corpo humano o qual estavam usando para minha experiência na terra. Apoderei-me de tal forma dele, que o fiz adoecer. Todas as vezes que dizia que era meu corpo, tornava-o frágil. Todas as vezes que fazia sê-lo dono de algo, reduzia sua sobrevida.

Sorrir. Não sou eu que estou em estado terminal, é o meu corpo. Resolvi cuidar dele com mais carinho e dedicação, até que ele não possa mais resistir. Um pouco tarde pudera dizer. Quem sabe não possa retornar para aprender novamente a viver com outro corpo. Como disse Wayner Dye: “Não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana”.

Não espere um estágio terminal para perceber-se. Não foque no ontem ou no amanhã. Encontre-se com você agora. Simplesmente, seja.

Nego Sartre


*crédito imagem: www.sinarj.com.br/Simp2007/TitoMacia.htm

terça-feira, 27 de abril de 2010

Descobrir a liberdade!


Descobrir que a minha mente estava fazendo um barulho descomunal. Uma insistência de pensamentos que não cessavam. Pra tudo uma necessidade de pensar, remoer, mistificar, projetar, avaliar, julgar. Além de tudo, rever, refazer, rememorar, recondicionar, e assim iludir.

Descobrir que a dor que sentia, era uma dor de pensar. O sofrimento nascia do pensamento. A cada vírgula, dois pontos, interrogações, exclamações, reticências, fazia cara feia, teimava em chorar, até surgia um lampejo de consciência que me fazia rir. E ainda assim continuava a pensar.

Descobrir que na maioria das vezes eu vivia por resgatar um passado que era história, às vezes um conto e nem sempre uma poesia. Demorava horas a fio a re-imaginar e a reinventar cada momento vivido; uma história de amor mal completada; oportunidades que se passaram ao vento; uma palavra de perdão não dita; e todas as dores que pareciam ainda estar presente.

Descobrir outras tantas vezes que projetava só o futuro, tão dolorido quanto o passado. Vivia de sonhos etéreos e fluídicos; de riquezas inalcançáveis; de amores impossíveis; e de todas as dores que pareciam estar presentes.

Descobrir por fim, que isso me despertou, tornou-me consciente. Minha necessidade principal é de silêncio. Aprendendo a aprender a silenciar a minha mente. Tornei-me um observador voraz dos meus pensamentos. A alforria dos meus pensamentos ainda não é completa, mas está em curso. Estou deixando o passado no lugar dele, guardado como deve estar e ao meu futuro me lanço nos aspectos práticos.

Descobrir que o que importa é isso agora. Torna-me consciente do presente. A minha grande pergunta diária: “Quem comanda minha vida: meus pensamentos ou meu ser?”.

Descobrir a liberdade!

Nego Sartre

*crédito imagem: http://tudoroger.wordpress.com

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pensar jovem e velho


Pensar jovem passa por esses caminhos. Primeiro: sorrir sempre para manter o corpo vivo e a mente ativa e principalmente para captar energias positivas a nossa volta. Segundo: aprendizado permanente para manter a principal máquina humana em perfeito funcionamento e em estado constante de renovação, o cérebro. Terceiro: viver como uma criança que é cheia de coragem e forças capazes de remover montanhas e pensamentos focados no presente. Finalmente, tudo isso se tornando circular, renovador.

Como enxergar o velho e o novo? Como vemos a juventude hoje é muito superficial, de nada adianta um corpo jovem e uma mente antiga. Para esse tipo de comportamento a solução está em cirurgias e alegorias, fáceis de serem encontradas. No entanto, vai muito mais além; buscar a vida muito além daquilo que as pessoas pensam centrar a juventude. É preciso manter mais que a aparência da maquina humana, é preciso tratar as engrenagens que fazem ter sentido. É preciso ser circular, é preciso ser renovável.

A solução é justamente o pensar, uma mente jovem opera verdadeiros milagres com o corpo. Pensar a juventude, não pelo milagre de ser jovem, mas pelo milagre da vida, pelo milagre da felicidade. Como operar esse milagre é o que muitos procuram. Equilíbrio e flexibilidade vistos sob um mesmo ângulo. Para ter equilíbrio têm que haver adaptação as condições ambientais e para isso é preciso ser flexível para aceitação do todo.

Há uma contradição entre esse pensar e a verdadeira consciência. Discutiremos em outro momento.

Nego Sartre
 
*crédito imagem: http://myspiration.blogspot.com

terça-feira, 20 de abril de 2010

ATRITOS


Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros. Simples, mas profundo, preciso. É nos relacionamentos que nos transformamos.

Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados
pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas.

À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio, sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida. A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes.

Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvida,  com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas. Faz parte... Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos experiência.

Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos Os seres de grande valor, percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de DEUS, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago. É lá que está o verdadeiro valor...

Pois, DEUS fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de AMOR. DEUS deu a cada um de nós essa capacidade, a de AMAR... Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins.
Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor.

Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e... os superando.

Ora, esses sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento... E envolvimento gera atrito.

Minha palavra final: ATRITE-SE! Não existe outra forma de descobrir o AMOR. E sem ele a VIDA não tem significado.

Roberto Crema
Presidente do Colégio Internacional dos Terapeutas – UNIPAZ.

 
Nota: Acredito que devemos compartilhar aquilo que nos toca e nos emociona. Com certeza Roberto Crema escreveu tudo para que possamos entender melhor a nossa passagem aqui pelo Planeta Terra. E que esta passagem sem feita de ATRITOS, que constroe o amor e o significado de vida.

Nego Sartre

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Conselho de amigo?


“A questão é que os animais tidos como irracionais tem um jogo de sedução irrepreensível, inestimável e inimitável. Pelo menos por nós humanos, que não conseguimos chegar aos seus pés.

O nosso jogo de sedução é regado a muita vaidade, egoísmo e orgulho. Na ponta só queremos satisfazer esses desejos egóicos. Não estão restritos a um dos sexos, ambos cultuam com um desvelo de dá inveja.

O que quero dizer que, ao buscar um relacionamento não seja afoito, não se jogue como se fosse o encontro do seu par perfeito ou a realização do seu ideal de vida. Ou não!?

Perceba duas coisas interessantes no comportamento humano. Àqueles que de cara buscam algo mais sério, adentra numa conversa expondo suas fraquezas, suas dúvidas, seus gostos e desgostos. Na maioria das vezes dão com os burros n’água, em tese. O outro adota o comportamento de primeiramente atender os desejos egóicos do outro, pois a partir daí as defesas se abrem, ele se satisfaz e ainda reconhece no outro as suas necessidades iguais e assim o conquista. Só isso?! São nessas armadilhas que todos caímos.

Essa simplificação apenas retrata um comportamento que teimamos em carregar e deixar à vista para os outros. Se for verdade ou mentira cabe a cada de nós a escolha. E unicamente a nós, tidos como seres conscientes.

Nas palavras de Eckart Tolle, seria: “Eu interpreto quem você quer que eu seja, enquanto você representa quem eu desejo que você seja.” Esse é um acordo implícito e inconsciente. Independentemente do comportamento que manifeste, a força motivadora oculta é sempre a mesma: a incessante necessidade de aparecer, ser especial, estar no controle, ter poder, ganhar atenção, complementando com Toller.

É assim. "(???)”

Nego Sartre

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Desastres Naturais



Rio de Janeiro, Chile, Haiti, Indonésia, China, Estados Unidos... Tragédias naturais? Será que a natureza está contra nós? De quem é a culpa? Dos governos? De Deus?

A maioria das pessoas tem certeza que tais acontecimentos fazem parte do destino, isso já estava escrito para acontecer. Algumas mais afoitas juram que é castigo de Deus, que todos os homens são maus. Os mais céticos acreditam ser obra de governantes que pouco ligam para as coisas do povo.

Antes de qualquer ladainha é necessário definir o conceito de desastre. Mas todos sabemos o que significa desastre. O que podemos dizer é que não se aplica, terminantemente, esse termo às questões naturais. Então, não existe desastre natural ou tragédia natural?! É isso. O que existem são eventos ou acontecimentos naturais, em maior ou menor intensidade, a depender de diversos fatores, entre eles, principalmente, as ações humanas. Um evento natural não é bom e nem é ruim, é natural!

O que dizer então? Pode-se dizer que houve um desastre ou uma tragédia humana, provocada?... pelo próprios seres humanos?!. E de quem é a culpa por todas essas perdas materiais, humanas e até mesmo naturais? Com certeza não é obra do destino nem castigo de Deus. Nós provocamos tudo isso. Sabemos que provocamos. Sabemos que continuaremos provocando. E o pior de tudo, culpamos outros e não nós. Como se ver, são culpados o destino, Deus e o Governo.

Enquanto não compreendermos nossa interdependência do conjunto como um todo, que fazemos parte de um sistema vivo e que nossas ações e decisões afetam todo esse sistema estaremos fadados a contar nossos mortos, a contar nossos prejuízos.

Só estarmos informados do impacto que tem nossas ações no ambiente natural, já está provado que não é o suficiente. Precisamos entrar no nível maior de consciência e não essa consciência alardeada por aí. Esse nível de consciência tem outro conceito, tem outra dimensão. E essa é outra história.

Nego Sartre

*crédito imagem: http://www.centenariosporting.com

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Atos humanos



Os seres humanos sofreram mais nas mãos uns dos outros do que em decorrência de desastres naturais.

Mais de 100 milhões de pessoas foram mortas violentamente pelas mãos de outras no século passado. Hoje, um dos aspectos do distúrbio coletivo da mente humana é a violência sem precedentes que estamos infligindo a outras formas de vida e ao próprio planeta – a destruição de florestas, que produzem oxigênio, e de outros seres vegetais e animais; os maus-tratos aplicados a animais em propriedades rurais voltadas à produção comercial; e o envenenamento de rios e oceanos e do ar. Motivados pela cobiça, ignorantes da nossa interdependência do conjunto como um todo, persistimos num comportamento que, se continuar indiscriminadamente, resultará na nossa própria destruição.

As manifestações coletivas de insanidade que se encontram na essência da condição humana constituem a maior parte da história da nossa espécie. Tentar ser uma pessoa boa ou melhor parece algo recomendável e evoluído a fazer; ainda assim, não é um empreendimento que alguém consiga realizar com total sucesso, a não ser que ocorra uma mudança em sua consciência.

Ninguém se torna bom tentando ser bom, e sim encontrando a bondade que já existe dentro de si mesmo e permitindo que ela sobressaia. No entanto, essa qualidade só se distingue quando algo fundamental muda no estado de consciência da pessoa.

Eckhart Tolle (do livro “O despertar de uma nova consciência”)