Por mais que pratique não tenho encontrado a certeza de que coerência é parte central em minhas ações, em meus relacionamentos, em meu trabalho e muito menos naquilo que escrevo.
Instigo-me a vasculhar ponto a ponto como me situo frente aos desafios e ao comodismo diário ao qual sou impelido constantemente. Quando me desafio, vejo que o poder de decidir se toma de uma clareza que, desse ou de outro lado ao qual devo recorrer, sempre me suporto um forte teor de incoerência. Muitas vezes o que vai mais pesar nesse conjunto de decisões será o fator que esteja agregado de menos incoerência, pois indiscutivelmente nenhuma decisão as quais somos levados tem no seu bojo a coerência num sentido mais stricto sensu da palavra.
De outro modo e de forma mais contundente, sou levado a sempre buscar um cantinho “esconde-esconde” frente aos desafios. Somos bandeirantes do comodismo, caçadores do conformismo. Lutamos diariamente para nos manter sempre do mesmo modo e no mesmo estado das coisas. Este é o reino da incoerência que domina e determina o sabor e dissabor das nossas vidas. Pretor da nossa consciência, a incoerência ludibria meus sentidos tomando forma de uma poderosa manifestação de coerência. Para me dominar, elas se confundem e se incorporam: coerência e incoerência.
O que mais importa em tudo isso é saber dessa dualidade, é ter consciência dessa dubiedade. De dois um, ou a arrogância toma conta dos meus atos tendo como pano de fundo a certeza de que pratica a coerência em sua totalidade, tornando-me um julgador voraz do comportamento humano; ou o aprendizado da humildade se faz presente como um veiculo condutor da minha vida, tornando-me um agente observador de minhas próprias ações sem a pecha de querer ser o dono da verdade.
Nego Sartre

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