terça-feira, 29 de junho de 2010

Infância


São as lembranças da infância algo que invade nosso espírito de uma adrenalina sem conceituação. Elas fazem com que rememoremos fatos que tem uma ligação e uma sintonia fantástica com o momento que vivemos.

Tomar banho nas lagoas que circundavam a cidade era uma das minhas prediletas estripulias na meninice, de uma algazarra sem tamanho e sem precedentes. As manhãs das férias, já que na minha região o inverno de chuva se dava no verão, era de um rito que não deixava de dar inveja aos das igrejas.

Essa arrumação de meninos em caça aos melhores pontos, tinha aposta em mergulhos, aos cocorotes dos mais velhos, e chegando por fim a imaginação das chineladas em casa. Esse último, por assim dizer, era o mais temido de todos e ao mesmo tempo era o que vinha a mente nos momentos finais da molecagem. A bem da verdade não tinha bundas ardidas que se fizesse cada um daqueles perambulantes meninos arredarem o pé de, no outro dia, novamente, se aventurar por aquelas bandas das lagoas.

Ameaças de novas chineladas, aparecimento de assombração nos finais de tarde na serra, mula sem cabeça, curupira, saci, nem um desses argumentos maternos faziam efeito. Parece que lá no fundo todos sabiam que tudo aquilo deveriam ser enfrentado para um dia fazer parte de uma história de vida que tem um estranho sentimento de se tornar perpetuo.

Nego Sartre

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