sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Há tempo




Nós nos imaginamos como sendo essa forma, esse corpo físico com o qual circulamos pela vida. Limitamos nossa existência ao espaço-tempo preso a esta forma.

Somos corroídos pelo medo da perda do outro e pela morte de nós mesmos. Somos levados a acreditar que o que somos fora da forma, do corpo, envelhece tanto quanto ela. A criança, o jovem, o velho que somos teve sua passagem no tempo da forma. Aceitamos, assim, o vazio como recompensa da disposição em que vivemos para viver a melhor vida que podemos viver.

A imagem que temos de nós mesmos quando jovem é da robustez, da agilidade, da inteligência fácil e rápida, e no contraste de um velho decrépito, inútil e um fardo que se encontra “com a boca escancarada SEM dentes esperando a morte chegar”, uma alusão ao que disse Raul Seixas.

Independentemente das circunstâncias e do tempo que determina a passagem pela vida, nós somos o escritor, o diretor e o produtor da nossa novela e que o nosso comportamento é baseado em nossos sentimentos que por sua vez são baseados em nossos pensamentos e, portanto, somos donos das escolhas que fazemos e dos caminhos que trilhamos na construção no presente da melhor vida que queremos viver.

Diante disto, fora da forma, fora do corpo, o tempo não existe, não há idade cronológica. O novo e o velho são do mesmo tempo, a diferença são os sonhos sonhados e as imagens que visualizamos para a nossa vida. O tempo é uma ilusão e é necessário redefinir a nós mesmos para incluir nossas naturezas sem forma e sem idade, que como tal não existem começos e fins.

Ao limitarmo-nos às regras que assomam a forma, esta que no dia-a-dia determina horas para dormir, comer, trabalhar, relacionar, etc., deixamos de viver no nível do pensamento que não está restrito aos limites do tempo, causa e efeito, começos e fins. Ao quebrar essas regras, tornamo-nos capazes de criar nossas imagens daquilo que verdadeiramente somos e da força que existe em nós, independente da idade que nos alcunharam. O tempo não existe, então deixemos a lamentação e desfrutemos a eternidade que é no agora, para que realizemos os melhores sonhos que temos sonhado.

Nego Sartre
 
 
 
P.S.: Esse texto ficou em 9º lugar no concurso de redação promovido pela Posead (http://www.posead.com.br/).