Descobrir que a minha mente estava fazendo um barulho descomunal. Uma insistência de pensamentos que não cessavam. Pra tudo uma necessidade de pensar, remoer, mistificar, projetar, avaliar, julgar. Além de tudo, rever, refazer, rememorar, recondicionar, e assim iludir.
Descobrir que a dor que sentia, era uma dor de pensar. O sofrimento nascia do pensamento. A cada vírgula, dois pontos, interrogações, exclamações, reticências, fazia cara feia, teimava em chorar, até surgia um lampejo de consciência que me fazia rir. E ainda assim continuava a pensar.
Descobrir que na maioria das vezes eu vivia por resgatar um passado que era história, às vezes um conto e nem sempre uma poesia. Demorava horas a fio a re-imaginar e a reinventar cada momento vivido; uma história de amor mal completada; oportunidades que se passaram ao vento; uma palavra de perdão não dita; e todas as dores que pareciam ainda estar presente.
Descobrir outras tantas vezes que projetava só o futuro, tão dolorido quanto o passado. Vivia de sonhos etéreos e fluídicos; de riquezas inalcançáveis; de amores impossíveis; e de todas as dores que pareciam estar presentes.
Descobrir por fim, que isso me despertou, tornou-me consciente. Minha necessidade principal é de silêncio. Aprendendo a aprender a silenciar a minha mente. Tornei-me um observador voraz dos meus pensamentos. A alforria dos meus pensamentos ainda não é completa, mas está em curso. Estou deixando o passado no lugar dele, guardado como deve estar e ao meu futuro me lanço nos aspectos práticos.
Descobrir que o que importa é isso agora. Torna-me consciente do presente. A minha grande pergunta diária: “Quem comanda minha vida: meus pensamentos ou meu ser?”.
Descobrir a liberdade!
Nego Sartre
*crédito imagem: http://tudoroger.wordpress.com









