quinta-feira, 8 de julho de 2010

Porta fechada


Tem dessas coisas, a vida da gente. Vez ou outra, damos com a cara na porta. Sorte nossa quando sai ileso nosso nariz. Dessas desventuras somos noticiadores pela vida toda, e quase sempre, em forma de reclamação.

E das piores portas, somos sofredores daquelas mais imaginárias. A do coração que quando bate chega a estremecer todo o ser e toda a forma. Na mente, somos ludibriados por caminhos tortuosos e tenebrosos. E daqueles que são dos outros, transformamo-las em eterno muro de lamentações.

Talvez aquela que seja mais dolorida quando fechada é a nossa em derredor de nossa vida. Isto dói tanto para quem nela busca guarita e muito mais pra nós que a fechamos às querelas e quimeras normalmente daqueles por quem temos admiração.

Esse é o meu desafio, e quem sabe talvez o seu, deixar de ser o cão de guarda de minha entrada, transformando-me num construtor de um templo, que é minha vida, sem portas e nem janelas, que não tem a pretensão de obstaculizar passagens e nem de se arvorar senhor do destino.


Nego Sartre

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