segunda-feira, 3 de maio de 2010

Eu não estou em estado terminal

Fui pego de supetão. Reagir com choro, gritos e pontapés. Maldisse todos os santos, arcanjos e também a Deus e toda sua linhagem. Como podia eu, jovem, que ainda não tinha nem entrado na infância da minha velhice. Terminal?!! Não! Não podia admitir. Não desfrutei de todas as coisas, não vivi todos os amores.


Pensei...minhas contas. Meu carro. Minha casa. O meu cachorro. Minhas horas de folga como ficarão? E minhas economias?, tantos anos juntando todo aquilo, esperando gozar uma aposentadoria folgada. Terminal?!! Não! E minhas roupas, que iria vestir? As minhas melhores marcas. Sem falar nos meus tênis, meus CDs, minha TV HD. E não tem como esquecer as biritas, meus domingos de churrasco com meus amigos. E agora? Tudo que era meu, vou perder???? Não é justo comigo.

Terminal? Mas quem está em estado terminal? Eu? Refletir. Horas e horas de introspecção. Por que comigo?

Nesses momentos, o coração se ilumina e a consciência se torna única. Entendi que nada me pertence. Nada é meu. Não sou as identidades as quais me forjei por anos: estudante, amante, marido, consultor, administrador, empresário, empregado, pobre, rico, dono. E quem é este ser então? Eu sou, apenas sou.

Concluir. Quem estava em estado terminal era o corpo humano o qual estavam usando para minha experiência na terra. Apoderei-me de tal forma dele, que o fiz adoecer. Todas as vezes que dizia que era meu corpo, tornava-o frágil. Todas as vezes que fazia sê-lo dono de algo, reduzia sua sobrevida.

Sorrir. Não sou eu que estou em estado terminal, é o meu corpo. Resolvi cuidar dele com mais carinho e dedicação, até que ele não possa mais resistir. Um pouco tarde pudera dizer. Quem sabe não possa retornar para aprender novamente a viver com outro corpo. Como disse Wayner Dye: “Não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana”.

Não espere um estágio terminal para perceber-se. Não foque no ontem ou no amanhã. Encontre-se com você agora. Simplesmente, seja.

Nego Sartre


*crédito imagem: www.sinarj.com.br/Simp2007/TitoMacia.htm

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