sexta-feira, 23 de julho de 2010

Desprendimentos



Somos confrontados diuturnamente por nossas conquistas materiais. Essa prova está presente principalmente no consumo. E alguns apelos sempre nos remetem de um lado a consumir mais, enquanto outros no dizem para manter por muito tempo aquilo que adquirimos.

São esses momentos que mais reflete o conflito entre o novo e o velho. À mostra a cultura da inovação revestida de um mundo estritamente tecnológico, que em contraste cultua um chamado mundo do modelo retro, da antiguidade. Há um erro de manifestação ideológica e educativa. Há uma adoração à forma, à matéria sem precedentes. E isto tem nos levado a derrocada da condição humana.

Particularmente, tenho pensado se aquilo que me pertence materialmente tem tido o mesmo número de vida das coisas que a meus pais pertenciam. As duradouras linhas de modelos retrôs as quais lhe damos valor hoje nasceram de um valor de durabilidade dos quais gerações anteriores tinham como princípio.

Nós, que fazemos parte de uma massa que adota o descartável como princípio, a par do apego que podemos afirmar que tinham nossos pais, somos escravos desse princípio. Cada dia e cada vez mais trabalhamos para nos manter apegados a essas coisas, a esses bens, que de duradouros só tem a passagem para um novo modelo.

E numa batalha de gerações somos forçados a acreditar que o apego nasce naqueles aos quais tem como princípio permanecer o máximo de tempo com a mesma mesa, a mesma cadeira, a mesma cama, a mesma carteira (àquela que lhe traz sorte) e por incrível que possa parecer, a mesma família.

Ao darmos valor à praticidade do descartável, a rapidez de uma comida congelada, isso parecer nos tornar seres humanos desapegados da matéria, desprendidos. Tolo pensamento. Escravos do consumo ‘sem eira nem beira’, somos amantes do ter como reflexo daquilo que imaginamos ser. E se somos aquilo que dizemos ter, mortos nos encontramos sem o saber.



Nego Sartre

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