terça-feira, 21 de setembro de 2010

E por falar em mudanças...


Como disse Heráclito de Éfeso no século VI a.C. "Um Homem não entra duas vezes no mesmo rio; da segunda vez não é o mesmo homem nem o mesmo rio". Por isso mesmo não devemos banalizar a mudança, ela ocorre a cada instante de nossas vidas. Falar de mudança é falar da vida. Entender a mudança é entender a vida. A mudança é ambígua (repleta de incertezas, indeterminações e inseguranças) e ameaçadora (não escolhe hora e constantemente nos pega de surpresa) e por isso o esforço de promovê-la é também dialético (uma descrição exata do real ou cheia de sutilezas - silogismo) e paradoxal (às vezes nos parece absurdo, disparate, contrário ao comum). Bretas Pereira (1999) resume as características das mudanças em três palavras-chaves:

A inexorabilidade - as mudanças acontecem sempre independentes da nossa ação, do nosso consentimento ou da nossa vontade.

A ambigüidade - é o produto do conflito fundamental que envolve o homem, no momento em que ele se defronta com a necessidade de mudar e o seu natural apego à estabilidade.

Perda - o processo de mudança é um gerador de perdas. Para a maioria das pessoas, e para alguns dos sistemas sociais que elas criam, a perda da estabilidade está profundamente associada à perda de valores, ou seja, ao conjunto ideológico em que se ancora a sua identidade.

Todo esse processo de mudança indica uma alteração muito profunda e muito importante em nosso comportamento e no mundo a nossa volta: o passado vale muito pouco ou quase nada. Simon Franco (1999), diz que quem ficar preso a ele, acreditando que as coisas que já fez e estudou são suficientes para garantir seu futuro, não terá na verdade nenhum futuro. Além de saber muitas coisas, é preciso saber ser uma pessoa vencedora. E para isso é necessário ter ousadia para quebrar regras, para abrir novos horizontes, para aceitar riscos. Ainda assim, há muito o que fazer por nossa carreira e escolhas demasiadas. O cenário é outro, os desafios são muitos e as perguntas continuam sempre as mesmas: Onde estamos? Aonde queremos chegar? Como chegaremos lá?. Talvez saibamos a resposta, mas não aprendemos a resposta, pois o que vemos e ouvimos gera em nós muitos sentimentos de incerteza, de insegurança, etc. e tal.

Mesmo com esta complexidade de situações que as mudanças nos apresenta, podemos vislumbrar um caminho que nos fará desenlaçar esse emaranhado de fios que nos prende. E isto só pode ser feito por meio de pessoas que tenham claros sonhos, objetivos e realizações, agregando recursos e iniciativas em busca de novas soluções.

Devemos nos relacionar e estabelecer conexões com todas as pessoas que estão a nossa volta e com todas as que ainda podemos conhecer. E desta forma teremos como compartilhar recursos, criar oportunidades e crescer e aprender através da troca. Nada mais é do que cultivar relacionamento que sejam mutuamente benéficos para todas as partes.

A partir do momento que evidenciamos a necessidade de trabalhar o presente, criar o futuro e melhorar nossos relacionamentos, criamos uma fonte de possibilidades infinitas. A grande ferramenta de realização pessoal e profissional está nos objetivos que nos propomos e como nos relacionamos com as pessoas. Além de agregar valor ao nosso presente e ao nosso futuro, pode, e isto é claro, torna uma via de mão dupla - o tanto que colaboramos com ela determina o que obtemos dela.

Nego Sartre

Publicado em 2004 - republicado com alterações 2010

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